6.7.08

click delete

Sábado. Cerveja. Filosofia. Isso era eu e a Jéssica ontem. Pode parecer péssimo para você, pessoa da lista do click delete. Pode parecer até pedante da minha parte. Mas, sim, não fazemos parte da maioria alienada. E, às vezes, sofremos por causa disso.

Esse foi o tom da discussão. Tom de piada, é claro. Com duas palhaças abandonadas pelas amigas em pleno final de semana. Superamos o abandono com teorias. E fizemos companhia uma para outra. Aliás, ótima companhia. As duas comunicadoras da turma botaram o latim pra fora e chegaram a várias conclusões que não as levaram a conclusão nenhuma. Típico de filósofas de sábado a noite.

Apesar das muitas coisas que falamos, o que me faz escrever é a imbecilidade. É, a banalidade. A ignorância. Aquelas pessoas que não servem para nada, sabe?. As pessoas da lista do click delete. Tudo bem que nem incomodar as pobres incomodam, mas só pela total insignificância mereciam sumir do mapa. Você tem certeza que deseja excluir essa pessoa? Tenho.

No entanto, contudo, todavia, esta é uma total dor de cotovelo. Confesso. Confessamos. Visto que a "a imbecilidade é o caminho da felicidade" (PERONDI, Jé. 2008). As pessoas sem senso crítico são mais felizes. Justamente por não terem consciência do quanto são fúteis e infelizes. Por exemplo, enquanto a gente falava esse monte de baboseiras, os imbecis estavam dançando créu na velocidade quatro. A gente não sabe dançar créu. Se bobear me saio bem até a velocidade dois. E deu.

Isto é um paradigma. O paradigma da mediocridade. Depois que se quebra esse paradigma, não é possível mais voltar atrás. Não dá mais para ser feliz com qualquer coisa. Não dá mais para se contentar com o raso, o vago, o vulgar. Aí a gente começa a filosofar. O pior disso tudo, é que não passamos do meio termo, do meia boca. Não somos nem tão idiotas alienados para não perceber o quanto somos idiotas e alienados. Nem tão inteligentes para termos os méritos dos inteligentes.

Apenas somos. E temos consciência do que somos, do que não somos e do que nunca seremos. Temos consciência do que nos falta e do que nos sobra. Olhando por esse ponto de vista, dá até para dizer que essa é uma segunda rota para a felididade. Pelo menos sabemos por onde andamos, para onde queremos ir e escolhemos a nossa velocidade. Nada de velocidade quatro do créu.

4.7.08

chá


Chá de banco, chá de fila e aquele chato? Chá de camomila.

Chá de panela. Chá de bebê ou chá de canela?

Chá com biscoito, chá de maçã. Erva de chá.

Chá de boldo, chimarrão com chá.

Chá pra gripe, chá para emagrecer.

Põe logo a chaleira para ferver.

Chá gelado, chá de maracujá.

Chá doce, chá amargo.

Ah, dá uma colher de chá pro coitado?

igreja

Ontem fui à igreja buscar umas energias. Sempre quando chego em Encantado gosto de ir lá me reabastecer. O que causa espanto na minha mãe, que acha que eu estou virando beata ou, pior, que estou apaixonada pelo padre. Ele bem que não é de se jogar fora. Deve ter menos de trinta. Mas definitivamente não é o meu número. De qualquer forma isso prova como minha religiosidade está em baixa na minha casa.

Tá, tudo bem. Eu não sou, digamos, católica. Muito menos apostólica romana. E menos ainda, praticante. Mas acredito em boas vibrações, sim. E fui junto com as vovózinhas da cidade à missa das três horas. Eu e as velhinhas subindo aquele monte de degraus da igreja mais linda que eu já vi. Domingo de manhã não rola, né?!

Quando cheguei, me lembrei da última vez que estive lá em apuros rezando para todos os santos. E pensei que era bom estar indo só para agradecer e "roubar" um pouco da paz da casa de Deus. Nesse dia, vi um senhor tropeçar e abrir a cabeça no último degrau da escadaria. Levaram ele pro hospital, mas a cena ainda me faz mal. Fui lá também para tirar essa impressão ruim.

Encontrei a igreja lotada e lembrei que prefiro ela vazia. Da outra vez, tinha bem pouca gente e o dia estava quente. Pude ver um cara de pés descalços uns três ou quatro bancos na minha frente. Ele tava bem vestido, mas com o pé naquele chão gelado. Tirei a sapatilha e também botei o pé no chão sagrado. Me deu vontade. Era bom ficar de pé descalço, de mente aberta, liberta.

Dessa vez, tava frio. E não tirei o tênis. Ouvi as coisas que o padre tinha a dizer, o mais novo. Porque para entender o que o padre mais velho diz é preciso uma tecla sap. Naquela vez, eu também não estava disposta a ouvir padre nenhum. Eu queria era me ouvir.

Fiz todo o ritual de senta e levanta. Ajoelha e reza. Comi até a bolachinha. Só não fui ao confessionário. Ia demorar muito. Pedi perdão olhando pro teto mesmo. Aliás, lindo teto. E sai de lá em paz. Bem como eu queria, leve. Sem pensar nos absurdos da Igreja Católica e muito menos nas minhas heresias. Saí de lá renovada, recarregada com novas energias

ps: a foto é exatamente a primeira coisa que enxergo de manhã quando abro a janela do meu quarto. Quero ver quem tem coragem de dizer que eu não moro em um lugar Encantado.

3.7.08

poeminha abobado


não sei que dia é hoje, nem sei que horas são


se mal sei do presente, imagine o quê do futuro me pertence


ou ainda o que lembro do passado


nenhum tempo me interessa


se não posso passar esse tempo ao teu lado

2.7.08

conhecer de novo

Eu estou conhecendo as pessoas de novo, ele disse. E foi o que ficou martelando na minha cabeça a viagem inteira. Na verdade, estamos todos sempre conhecendo ou reconhecendo as pessoas. O tempo inteiro. A gente é que não percebe.

Reconhecer é diferente de conhecer de novo. Eu não te reconheci e talvez tu também não tenhas me reconhecido. Somos outras pessoas, ainda que as mesmas. Então, sendo assim, nos conhecemos de novo.

Reconhecer alguém nada mais é que descobrir que alguém é o que é através de suas atitudes (quantos quês e és, mas assim 'que é'). Reconhecemos nossos amigos, principalmente nos momentos difíceis. Nessas horas, também conhecemos os não tão amigos. Conhecemos de novo.

Conhecer alguém de novo é conhecer alguém de verdade. Descobrir que esse alguém é melhor ou pior. Não importa. É sempre preferível olhar e realmente ver. É bom colocar o pé atrás na frente. Confiar. Acreditar. Mesmo que essa seja uma aposta alta e que ela possa sair cara.

Porque a vida é isso mesmo. Um jogo, uma aposta. E eu uso as minhas fichas. Todas. Sempre. Guardo uma carta na manga, eu confesso. E também jogo para ganhar, mesmo sabendo que nesse jogo, às vezes, é importante perder. Faz parte da rodada.

Acho que marcamos muitos pontos nos conhecendo de novo. Ainda que falte muito para ser conhecido. Reconhecemos algumas coisas. Descobrimos outras novas. Mas sem dúvida, nos conhecemos de novo. Afinal, "as pessoas mudam em quatro anos". E por sorte, mudaram para melhor. Fim do primeiro tempo. Jogo empatado.


ps: Feliz aniversário, gato.

1.7.08

fabiana

Fabiana pensava. Fabiana escrevia. Fabiana anotava. Fabiana escrevia. Fabiana olhava. Fabiana escrevia. Fabiana via. Fabiana escrevia. Fabiana lia. Fabiana escrevia. Fabiana observava. Fabiana escrevia. Fabiana conhecia. Fabiana escrevia. Fabiana refletia. Fabiana escrevia. Fabiana ouvia. Fabiana escrevia. Fabiana viajava. Fabiana escrevia. Fabiana inventava. Fabiana escrevia. Fabiana lembrava. Fabiana escrevia. Fabiana relembrava. Fabiana escrevia.

Fabiana sentia. Fabiana escrevia. Fabiana chorava. Fabiana escrevia. Fabiana sorria. Fabiana escrevia. Fabiana temia. Fabiana escrevia. Fabiana sonhava. Fabiana escrevia. Fabiana queria. Fabiana escrevia. Fabiana entendia. Fabiana escrevia. Fabiana compreendia. Fabiana escrevia. Fabiana perguntava. Fabiana escrevia. Fabiana aprendia. Fabiana escrevia. Fabiana acertava. Fabiana escrevia. Fabiana errava. Fabiana escrevia. Fabiana vibrava. Fabiana escrevia. Fabiana sofria. Fabiana escrevia.

Fabiana saía. Fabiana escrevia. Fabiana chegava. Fabiana escrevia. Fabiana dançava. Fabiana escrevia. Fabiana trabalhava. Fabiana escrevia. Fabiana fugia. Fabiana escrevia. Fabiana respirava. Fabiana escrevia. Fabiana espirrava. Fabiana escrevia. Fabiana amava. Fabiana escrevia. Fabiana odiava. Fabiana escrevia. Fabiana ganhava. Fabiana escrevia. Fabiana perdia. Fabiana escrevia. E assim ela vivia. Fabiana vivia. Fabiana escrevia.

30.6.08

rodoviária²

Acordei em Porto Alegre com o sol na cara. Olhei pela janela ainda me espreguiçando e enxerguei um velho navio ancorado no Guaíba. Bela fotografia, pensei entre um bocejo e outro. Arrumei o cabelo, peguei a bolsa e desci do ônibus.

A manhã nublada e úmida em Pelotas tinha sido substituída por uma tarde abafada e ensolarada na Capital. Boa pedida para um óculos de sombra (ou de sol). Perfeito para esconder os olhos de quem passou uma semana mal dormida. Mal dormida, embora bem curtida.

Lá vou eu rodoviária afora. No mesmo caminho. No mesmo trajeto. São anos na ponte Encantado-Pelotas. Dessa vez, duas malas e nenhum peso na consciência. Fiz tudo que eu precisava fazer. A única coisa que já começava a pesar, era a saudade. Sempre ela.

O "calor" me deu sede. Nada melhor que uma coca-cola gelada. 20 minutos me separavam do segundo ônibus daquele dia. O que me leva pra casa. Abri a lata e ouvi aquele estalo e o barulhinho do gás. Ai que bom. Metade da sede já tinha passado só com o ritual afrodisíaco que é tomar uma coca-cola. Tsiiii. Não dá pra reproduzir o barulho que sai da latinha da felicidade.

Aquele estalo, porém me deu outro estalo. "Nem a coca-cola termina assim do nada". Tinha me dito a mulher misteriosa, também do nada, nessa mesma rodoviária em tom de risada. Tomei a mini lata pensando naquilo e o gás me encheu de uma certeza que eu não tinha.

Joguei a lata fora, mas guardei o conselho. Guardei a certeza. Confortável. Confortante. Subi no ônibus, li o bilhete da Carol. Reconfortante. E logo voltei ao sono perdido, digo investido, pela bela adormecida aqui. Acordei em casa. Confortável, confortante, reconfortante.

29.6.08

sorriso - a pedido

Prometi escrever. Resolvi cumprir. Não que seja uma promessa que não me faça bem, afinal, boas lembranças merecem ser guardadas com boas palavras.

Lembranças leves, breves, rasas. E talvez, por isso, tão boas. Lembranças de um sorriso que sorria por causa do meu sorriso. Ela está sempre sorrindo, me disse ele também com um sorriso. Coisa meio contagiante.

Só troquei o sorriso por um beijo. E depois por uma dança. Isso era sábado. Um bom dia para conhecer alguém legal. Na segunda, o sorriso foi trocado por uma boa conversa na madrugada. Conversa sonolenta, mas engraçada. Também acho divertido falar contigo.

Depois disso, tudo ficou só no pensamento. E só no domingo, novas trocas foram feitas. Foram sorrisos e palavras. E quando vi, já estávamos falando à uma hora no telefone, como bons amigos, ou mais do que isso.

Falamos de tudo, até dos malditos americanos. E pensei como é ruim ter que ir embora nessa hora. Pensei que é ruim essa distância. Essa de agora e a de depois, que vai ser bem mais longa.

Por enquanto, é isso. Foi isso. Quem sabe um dia, algo mais. Novas trocas. Outras moedas. Conheci um soldado, que não é soldado. Que adora rock, have e come salada. Ele protege os animais e, às vezes, tem crises existenciais. Gostei muito do que eu conheci até aqui. Fiz a promessa e já cumpri.

espirituosa e desalmada

Espirituosa. Uma trova que tem muito mais impacto que linda, maravilhosa. Espirituosa, cheia de vida, dona da prosa. Espirituosa, que tem ou denota espírito, graça, vivacidade. Ou ainda, que contém álcool, alcoólica. É acho que ando mesmo espirituosa, inspirada, espiritualizada.

Desalmada. Que demonstra maus sentimentos; cruel, perversa, desumana. Desalmada, má, sem alma. Foi uma chantagem, mas me senti mesmo desalmada. Relapsa. Malvada. Do tipo, promete e não cumpre. Diz que vai ligar e não liga. Jura que vai voltar e não volta. Assim, sem dó. Sem alma. Amigas, isso não diz respeito a vocês.


No mesmo dia fui rotulada. Espirituosa e desalmada. Com presença de espírito, mas sem alma. É isso?
Eu e essas "contradições, visões, confusões"... não consigo mais reconstruir meus paradigmas. Acho que desgringolou de vez. Nem eu sei mais quem eu sou. Me perdi, por aí. Mas em algum lugar, eu devo estar.

28.6.08

pássaros

Quando eu era criança, eu tive um pássaro de estimação. Mas não teve graça. Eu preferia os pássaros no céu. Melhor observá-los livres de longe que vê-los presos bem de pertinho.

É porque eu gosto de pássaros que voam. Que voam como os pensamentos, como os sentimentos. Que voam sem se importar com a altura ou a distância. Que voam por sobrevivência ou pelo prazer de voar. Gosto de pássaros que voam. Mas gosto mais dos pássaros que voltam. Voam e depois voltam.

Como os bons amigos que voam e um dia voltam para nos encher os olhos de alegria e o coração de música, de cantoria. Amigos que voam livres das gaiolas da cobrança e do medo do esquecimento. Amigos que simplesmente voam porque têm que voar, mas que carregam a certeza de que sempre terão um ninho em nossas vidas.

Eu tenho muitos destes amigos. Por sorte e espero que por merecimento. Mas este texto é para um pássaro em especial. Um pássaro que me deu pássaros de cura, felicidade e objetivos alcançados – os tsurus. Pássaros também especiais.

Presente de uma amiga linda, com um sorriso de flor, que me liberta sempre da gaiola da saudade. Uma amiga que abre as asas e que num abraço me deixa voando de felicidade. Uma amiga que eu só posso conhecer de outros vôos, de outras vidas. Obrigada.